Sei que você não sabe e nem quer saber quantas vezes desejei encontrar-te no meio das suas reflexões. Eu ficaria quieta, invisível, observando de longe para não atrapalhar. Prometo.
Eu queria tanto conhecer o seu sorriso e presenciar os seus momentos de inspiração e abrir as janelas da casa para libertar a fumaça dos cigarros que eu jogaria fora. Eu queria até aturar a sua fúria e aprender a tolerar os seus vícios que um dia vão acabar matando você.
Eu queria, mais do que tudo, poder salvá-lo. Mas não tenho forças nem para fazer curativos nos joelhos que eu ralei. Eu não vou me curar. Nem você. A gente vai acabar morrendo de overdose e ninguém nunca mais duvidará da nossa química.
Eu tenho medo das suas histórias e frases e palavras, de cada sílaba. Veio para atormentar-me a vida, preenchendo a minha insônia com sua presença. Talvez algum dia, alguém encontre os nossos manuscritos espalhados pela casa abandonada e queira nos ressuscitar.
Eu preciso, urgentemente, recuperar a segurança dos meus vazios e manhãs mal humoradas. Trazer de volta a sanidade dos meus sentimentos.
É tudo em vão, meu amor. Mas no vão das coisas cotidianas eu sei que nos preencheríamos. E que a presença do outro seria a certeza de que ainda há algo pra viver.
Minhas mentiras ruins não toleram a verdade: sou objeto do seu verbo, eu nunca soube conjugar. A sua presença é o que me falta agora. É o que me falta sempre. E se o seu sorriso parar de sorrir pra mim, meu bem, eu nem sei.
... Sei que esse amor de papel não durará. Somos como tesouras que tiraram férias.
Monique Burigo Marin











