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por Monique às 9:38 PM 16 comentários

Quando finalmente entenderes as mensagens subliminares que te envio, terás descoberto o primeiro dos números infinitos do código de mim. É que sou assim, uma porção de dúvidas escondida em boas respostas. É que cada sorriso cerrado é para que os sentimentos não me saltem pela boca. É que cada rabisco feito no papel é para amenizar a ansiedade, e quase todas as minhas manias servem para distrair a solidão. É que tudo o que em mim é secreto eu guardo bem.

...Decodifica-me.

Monique.

Re-lembrar.

por Monique às 8:40 PM 10 comentários

A caixa de lembranças ficou pequena para todas elas e transbordou. Arremessou a tampa para o lado oposto do quarto. Fez pessoas ressuscitarem do passado, e agora, elas querem ficar. Não podem. Não devem. Isabel não as quer mais. Estão fora do tempo, ultrapassadas e mofadas. Mofo não lhe faz bem, ela é alérgica.
Travou uma batalha contra as próprias lembranças até que todas estivessem devidamente rasgadas – o som de lembranças rasgando lhe soa ainda pior que o de dedos estalando – e separadas na lata de lixo reciclável. Assim, existe o risco de retornarem – de novo – ela adora arriscar.
Batalha vencida, hora de recomeçar. Repetição é praxe em sua vida desde a infância – nunca trocava as figurinhas repetidas. – Ao acordar, o pé direito toca o chão primeiro. É assim desde seus cinco anos de idade. Será assim para sempre. Sempre é muito tempo.

Monique.


P.S. Imagem das minhas lembranças.

Frio

por Monique às 5:27 PM 11 comentários
Faz frio. As pessoas estão congelando – de dentro para fora – as estradas estão escorregadias e a vida também – impossível mantê-la segura nas mãos.

Monique.

Arte

por Monique às 3:33 PM 8 comentários

Ele não se move, sequer pisca os olhos. Mora em um quadro na estante bege da sala de estar da casa de minha avó, terceira prateleira do lado direito. Está sempre sentado atrás de uma mesa de madeira escura, escrevendo na máquina de escrever com ar de velho sábio. Uma cartola na cabeça. Uma história materializando-se no papel.
Todo o figurino indica que ele vive eternamente no século XIX. E eu aqui, presa no século XXI. E ele ali, preso na tela que alguém pintou. Tinta seca.
Tentei estabelecer contato algumas vezes, foi tudo inútil. Ele não responde. Não quer saber de mim. E eu continuo perdendo meu tempo o observando, dia após dia, intermitentemente. Desejando muito profundamente ouvir o barulho que faz a máquina de escrever quando ele escreve. Desejando secretamente ser a obra de arte de alguém.
Talvez algum dia, eu o roube da estante. Ninguém iria notar. Talvez eu o leve para a minha casa e o pendure na parede da cozinha e faça um chá com açúcar para nós dois.
Dia desses, passei tanto tempo o observando que adormeci no sofá que fica defronte a ele. Quando acordei ele havia desaparecido, a máquina de escrever estava solitária e eu também. Encontrei um bilhete ao lado do quadro:
"Você babou no sofá. Adoro o som dos seus sonhos."

Monique.
 

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