Elefantes

por Monique Burigo Marin às 7:45 PM
                                                                Imagem: Salvador Dalí
Às vezes apertam o nó em volta do pescoço forte demais. Sufoco, agonizo, não consigo gritar: é horrível. Nesses momentos, só os elefantes conseguem entender. Eles estendem suas trombas como símbolo de compaixão. Eu nada faço. Nada posso. Nada sou.
Há mais um deles no bando, quase invisível por detrás das enormes patas protetoras. Estou triste, é um novo escravo das dores que não suporto só.
Quando desperto, eles murcham tanto quanto eu. Preciso libertá-los, mas viver sonhando não é permitido e, só assim posso vê-los sujar os corpos de lama medicinal e jogar jogos da memória ao redor do toco de madeira de uma árvore centenária, acidentalmente sacrificada por um raio bêbado. Não se fazem mais tempestades como antigamente.
Só esses elefantes podem pular. Construí uma cama elástica do tamanho da minha casa, só para eles. Não arrisco meus pulos, sei que não vale a pena. Se ao menos a dor fosse sempre tão fácil de diagnosticar...

Monique Burigo Marin

7 comentários on "Elefantes"

Lina :) on 28 de março de 2011 20:41 disse...

Sempre quis entender, nem que fosse uma pequenina coisa, a respeito do título do seu blog: Jujubas e Elefantes Murchos.
Depois de ler, reli. E pensei.
Entendi um ponto, de milhões que habitam sua cabeça.
E, no fim das contas, me vejo mais curiosa do que sempre estive a respeito disso.

Beijo, boa semana.

Christine Wengrzynek on 29 de março de 2011 17:29 disse...

Que texto mais intrigante, é o tipo de texto que me prende, querendo saber o que ele realmente quer dizer, querendo entender tudo o que há por trás dele... Cada palavra, cada verso, cada pequena letra. VocÊ instiga a sempre querer mais respostas.



http://cgw-sonhoperdido.blogspot.com/

João Victor on 29 de março de 2011 19:41 disse...

Esse é o tipo de texto que a gente olha e diz: "queria ter ecrito isso". Na verdade esse é o primeiro pensamento do ego. O reconhecimento estagna-se boquiaberto.

Monique Premazzi on 31 de março de 2011 23:04 disse...

Eu fiquei me perguntando o que esse texto quer dizer e ainda não descobri, acho que sou lerda demais para entender coisas por trás de algumas palavras. Achei ainda mais interessante por não conseguir decifrá-lo.

Parabéns pelo blog.
Beijinhos s2

Railma R. Medeiros! on 31 de março de 2011 23:05 disse...

Muito, muito bom Monique. Eu já tinha te visitado outras vezes e o nome me chamou a atenção. O texto é demasiado intrigante e tem uma sutil beleza em meio a tanta dor. Elefantes, elefantes pesam...


http://railmamedeiros.blogspot.com/

Dan Arsky Lombardi on 3 de abril de 2011 09:57 disse...

Acho importante suportar e aprender a lidar com os elefantes que murcham, ensinando a tragar a dor indissolúvel. O que nos alivia essa marcha infernal são as jujubas, que adoçam o caminho com ternura.

Não preciso dizer que adorei a ilustração, né?

alemão on 14 de abril de 2011 19:08 disse...

Excelente texto, e como os outros, queria saber o verdadeiro significado por detrás dele.
Excelente escolha de imagem (meu amigo tatuou isso no braço... [e dai?]).
Mas parabéns pelo texto, excelente escritora!

 

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