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Que seja pleno o que será.

por Monique às 3:42 PM 6 comentários

Tenho inúmeras manias esquisitas, entre elas está a de imaginar rostos jovens (ou nem tanto) envelhecidos. Não sei quando foi que a adquiri, mas desde então não consigo livrar-me dela.
Um dia, me olhando no espelho imaginei-me daqui a trinta anos. Realizada pessoalmente e profissionalmente; inseparável de meus instrumentos musicais, alguns livros publicados, situação financeira estável, família feliz. Rugas marcavam meu rosto, mas eu estava orgulhosa de cada uma delas.
Um vento frio e agradável entrou pela janela da sala, onde eu conversava animada com o homem que eu amaria até o fim da vida. Reciprocamente. E se o tempo me permitisse, provavelmente morreria amando um homem careca – engraçado pensar nele assim.
A lareira estava acesa, a mesa lateral acomodava diversos porta-retratos que continham fotos de momentos felizes, em alguns deles eu estivera no Japão. Meu eu adulto vestia algo confortável e divertido, tinha nas mãos quatro pares de meias recém passadas, prontas para serem imediatamente calçadas em um dia frio de outono.
Ao olhar pela janela vi minha irmã e meus sobrinhos, sorriam e acenavam ao passarem pelo portão. Meus dois filhos correram ao encontro deles, os copiei, e nos envolvemos em um abraço coletivo. Pouco depois, meu melhor amigo apareceu por lá. Seu cabelo estava diferente, mais curto, menos escuro, mas naquele momento eu soube – seu olhar seria o mesmo para sempre.
Ao observar o exterior de minha casa, descobri com alegria que ela era amarela. Havia um carro de modelo antigo na garagem, o jardim estava bem cuidado, e os portões eram fantásticos, cheios de curvas e desenhos. Folhas secas caídas no chão atribuíam à sensação gostosa de pisá-las e ouvir os sons. Ao fazer isso, a fantasia quebrou-se com as folhas. Pela metade, interrompida.
A imagem no espelho voltou a entrar em foco, e lá estava eu – trinta anos antes, nenhuma ruga, com o futuro nas mãos.

É fato, todos os que sobreviverem ficarão velhos. Os jovens envelhecem, os velhos continuam envelhecendo, e até as crianças têm rugas invisíveis no rosto – precoces em quase tudo. O mundo está amarelando, há páginas quase ilegíveis e cabe a nós conservá-lo.
Sei que sentirei falta do que ficará na lembrança. Então, que a vida se renove todo dia. Que o futuro seja pleno como nunca.

Monique.

7

por Monique às 4:53 PM 10 comentários

Sete é o número natural que segue o seis e antecede o oito, está presente em nosso cotidiano de diferentes maneiras. Para os músicos, sete notas musicais da Escala Base. Para os crentes, sete dias foram usados na criação do mundo. Para as crianças, sete anões da Branca de Neve. Para os matemáticos, sete algarismos romanos. Para os historiadores, sete rainhas na história foram chamadas de Cleópatra. Para os rotineiros, sete dias da semana. Para os apaixonados, sete cores do arco-íris. Para os curiosos, o sete inicia o código de barra nacional brasileiro. Para os pecadores, sete pecados capitais. É sobre eles que falarei. Afinal, todos - músicos, crentes, crianças, matemáticos, historiadores, rotineiros, apaixonados, curiosos ou não - temos isso em comum. Somos pecadores.
Os sete pecados capitais foram inseridos na sociedade pela igreja católica que pretendia intimidar a manifestação dos desejos. Estes, porém, após trancafiados nos corpos humanos agravaram suas proporções.
O tempo passou e os sete pecados libertaram-se dos corpos. Exemplo disso, foi o lançamento da linha de sorvetes Magnum 7 pecados no ano de 2003 – que circulou por tempo limitado – vinha acompanhada de campanhas publicitárias, instruções para consumo, jogos e outras formas de estimular a venda explícita do sorvete. Até eu comi, e gostei.
Apresento-lhes a gula. Ela é desequilibrada, quer mais do que pode ter, dá água na boca e faz a barriga crescer. Combate a ansiedade e coopera com a celulite.
A avareza, não divide suas riquezas e por isso está sempre pobre de espírito.
A inveja despreza seu reflexo, e usa máscaras com o rosto de outro alguém.
A ira é descontrolada, furiosa, intolerante, suicida e homicida, quando acompanhada do til é também um país asiático do Oriente Médio.
A soberba é arrogante, considera-se auto-suficiente, e acha que o mundo gira em torno do próprio umbigo.
A luxúria enxerga por toda parte corpos de Juliana Paes e lábios de Angelina Jolie, quando batem nela escuta-se o som oco.
A preguiça não apareceu para se apresentar, estava confortável demais em sua cama para fazê-lo.
Todas juntas formam um grupo traiçoeiro e (in)evitável. Hoje, a preguiça e a gula foram mais fortes do que eu. Qual delas derrotou você hoje?

Monique.


Comercial Magnum 7 pecados:
http://www.youtube.com/watch?v=xw6XgS__IH0
 

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