Monocromático

por Monique Burigo Marin às 4:08 PM
  Ilustração: Beatriz 

  Tenho mania de inverter a ordem das coisas e sei que o teu sorriso em branco e preto jamais voltará a ter as cores que eu enxerguei. Você é meu ciclo. Minha inércia. Minha agonia. Você é a parte de mim que ainda amo. E está em tudo.
  Você está nas rugas que surgem a cada dia e na profundidade das olheiras que emolduram meus olhos. Está no desenho abstrato que eu fiz na janela embaçada do carro e também na luz que vem na contramão. Está na primeira estrela que imaginei nascendo no céu da minha boca e no pedido que ela recebe. Principalmente no pedido.
  Você está nestas palavras que sussurro, de olhos fechados, no meio da madrugada. É que quero que você acorde, mas você está hibernando há quilômetros de distância e não há nada que eu possa fazer. Mesmo assim, deixo um bilhete para quando você acordar. Se você acordar para mim algum dia.
  Só não quero mais passar as noites procurando pelas tuas mãos embaixo do meu travesseiro. Não enquanto elas não estiverem lá. Não enquanto você não quiser que elas estejam. Não enquanto você ignorar o quanto eu quero.
   Mas não importa. Foge do meu controle. Já estou amando tuas novas cores.

Monique Burigo Marin

10 comentários on "Monocromático"

deia.s on 28 de julho de 2011 16:33 disse...

É aquela sua velha mania de estar em todo lugar.

Gostei \õ/

http://amar-go.blogspot.com/

Julie Duarte on 28 de julho de 2011 18:23 disse...

Que texto lindo! Tem tanto sentimento e é inspirador *o*

Aline Diedrich on 28 de julho de 2011 21:00 disse...

Que lindo! Cheio de cores e contrastes!

Jádison Coelho on 28 de julho de 2011 22:09 disse...

A gente sempre se acostuma com as novas cores. É como um cego, não fica triste, mas se acostuma. Sempre as cores vão perdendo os tons e ficando sem cores. É muito bom amar...Ai essé lírismo feminino....Me conquista

Linda, e lindo texto.

escarceu-pre-datado.blogspot.com

Thiago Dominoni on 29 de julho de 2011 02:14 disse...

Ontem quando bati um pé contra o outro, esmurrei o chão. Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Eu pensei.
Segundos depois: Pensei nela. Talvez por igualar a dor.
Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii. Chorei. Eu chorei.

Iguimarães on 29 de julho de 2011 13:41 disse...

você está nos meus olhos mas não posso te enxergar

Adriano Ferreira, CM on 29 de julho de 2011 14:58 disse...

ausência.
existe uma presença mais forte do que uma ausência sentida?
como diria o drummond, "essa ausência medida é um estar em mim mais forte que qualquer presença".
adoreio blog, a estética, os textos.
vou acompanhar.
abraço

Carolina Hermanas on 29 de julho de 2011 20:09 disse...

Eu adorei a parte que tu citou em adorar as rugas e as olheiras..sabe,tu chorou muuito por ele e não liga,continua amando-o <3
É um texto sofrido, mas lindo.Fala sobre o sofrimento, mas também fala sobre o amor ainda impregnado no coração :)

Lindo,lindo!!!!!!

beeijos <3

Lua (: on 30 de julho de 2011 01:04 disse...

caraca, o que é isso? faltam-me palavras pra descrever a perfeição contida neste texto *-* parabéns, voc tem um talento incrível! simplesmente liiiindo *-* vou te seguir aqui, e continue escrevendo, por favor .-.

Simone Lima on 1 de agosto de 2011 13:21 disse...

^^ Lindo, simplesmente.

 

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