Descanse em Paz

por Monique Burigo Marin às 6:12 PM
O dono da camisa fora um homem triste, amargurado, incompreendido. Seu único momento de paz era quando pintava.
As mãos sujas de tinta apanhavam no ar as imagens mais sinceras. Denunciavam as mentirosas e puniam as criminosas. Era o juiz do próprio mundo, dono das próprias mãos. Autor das mais sombrias histórias.
Tingia de cores intensas os quadros e as paredes. Sua angustia era arte e nem sabia. Não queria saber. Sabia o bastante e, de fato, melhor seria se não soubesse.
Hoje penduro a camisa dele no armário, reparo as manchas que não reparei quando a comprei no brechó. Essas manchas alaranjadas são a paz de um homem morto. Agora eu sei.


Monique Burigo Marin

9 comentários on "Descanse em Paz"

Dan Arsky Lombardi on 15 de novembro de 2010 10:20 disse...

Será que manter estas manchas irá manter a paz que o homem por detrás do pincel nunca encontrou?

Iguimarães on 17 de novembro de 2010 01:08 disse...

As manchas são os juízos dele mesmo

Talvez ele tenha perdido a paz

Well Souza on 22 de novembro de 2010 17:24 disse...

Li certa vez uma artista-plástica "tinta é sangue colorido. O mais artificial é o branco"

Como sempre, belo texto!

Abraço


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Victor.M on 23 de novembro de 2010 00:29 disse...

ter paz na angustia, uma alma bem solitaria.

Pedro on 23 de novembro de 2010 23:01 disse...

Ao menos ele conseguia pintar sua própria paz.

Yuri Pospichil on 28 de novembro de 2010 00:42 disse...

Bonito estilo, gostei muito das tuas linhas!

Parabéns pelo talento! ^^

Lincoln F. Barbosa on 1 de dezembro de 2010 02:32 disse...

Fico pensando se um dia a minha flanela vai ser comprada num brexó. O problema é que minha flanela não pode se sujar de música. =P

Monique Larentis on 1 de dezembro de 2010 10:13 disse...

Muito profundo o texto. Cheio de sentimentos.

Leon K. Nunes on 1 de dezembro de 2010 12:34 disse...

Algunas dos maiores artistas nem imaginam que alguma vez fizeram arte durante a vida...

 

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