Obrigada

por Monique Burigo Marin às 8:49 PM
Imagem: Monique Burigo Marin

   Pensei em escrever sobre o teu jeito de desenhar sorrisos dentro de mim, nesses dias em que estou morta por causa dos tantos outros que se passaram. Pensei até em te contar, mas sei que te assustaria. E, de qualquer modo, meu silêncio contém pensamentos que não consigo decifrar, passeiam pelo teu caderno e por lá ficam, sorrindo sorrisos de desenho animado.
   Eu poderia escrever uma porção – e uma porção é o tamanho ideal para tudo, sabia? – de histórias para os teus personagens assimétricos, mas tenho medo de acabar distorcendo tudo. Eu queria saber descrever aquele olhar ensolarado que você soube desenhar, mas para alguém como eu, o sol chora gotas de chuva.
   Eu só queria, enfim, te agradecer por colorir com hidrocor esses dias secos e opacos, além de apagar as bigornas que ameaçam cair sobre mim. São inúteis, eu já não posso ser moldada – Estou pronta. E torta.


Monique Burigo Marin

3 comentários on "Obrigada"

#marihmenezes. on 7 de abril de 2012 08:34 disse...

Tão lindo. Tão poético.
E todos os seus textos deixam-me um gostinho de açúcar que só você sabe passar.
Adoro seus textos, Monique! Admiro seu modo único de escrever. Esse é um dos meus preferidos.

Dan Arsky Lombardi on 9 de abril de 2012 20:21 disse...

Por mais que parece cinza e solitário, acredito que o que dizem a respeito do sol ser vida, seja inegável, mas é na chuva em que está a poesia, e isso é que é viver para mim. Não deixe o sol fazer passar para sempre a chuva. Deixe tudo como narrado nesse episódio escrito por você, "na porção", afinal, é o tamanho ideal, não?

(Ah, quando chovem as bigornas e os pianos, é porque não existe problema para se resolver!)

feя. on 21 de abril de 2012 00:27 disse...

Concordo com a #marihmenezes sobre o "gostinho de açúcar" que é tão peculiar das suas jujubas, sejam elas azuis, amarelas, cor-de-rosa... gosto doce e sufocado que eu adoro saborear.
Se essa forma torta de elefante murcho é o pronto que não pode ser moldado, que não o seja mesmo, porque você sempre escreve uma porção. E é o ideal para desenhar sorrisos dentro de tantos sois que chovem.
Depois de tanto tempo, ainda não consigo conter minha admiração por você. Parabéns!

 

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