Muito prazer

por Monique Burigo Marin às 6:50 PM

Imagem: Monique Burigo Marin
   Você desconhece a minha vontade de ter os pés descalços sobre a grama, viver entre as árvores, fluir como líquido pelas corredeiras. Desconhece meu ódio ao ver os animais condenados no campo e minha vontade de inverter os papéis. Quero aprisionar os responsáveis com arame farpado.
   Você desconhece esse meu lado cigano, esse meu lado bucólico, esse meu lado rebelde. Não crê na minha força por culpa da minha aparência frágil. Você nunca olhou, verdadeiramente, dentro dos meus olhos. Nunca viu a mulher atrás do rosto infantil. Aliás, você sempre esteve olhando para outro lado.
   A flor que caiu ontem daquela árvore, era eu. Eu, que um dia quis viver entre as páginas do seu livro empoeirado.
Monique Burigo Marin

2 comentários on "Muito prazer"

Dan Arsky Lombardi on 16 de março de 2012 às 20:20 disse...

A metáfora não serve para qualquer coração, assim como a boa-vontade e o desejo de mudar com cores e calor as coisas ruins desse mundo feio e frio.

Fernando Castro on 16 de março de 2012 às 20:26 disse...

Caleidoscópica. Fascinante.
É outono mesmo. Logo, logo, floresce outra vez e eu torço pra que, de maneira nenhuma, te podem.

feя. ^^

 

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