Anônimo

por Monique Burigo Marin às 6:17 PM


                                                                      Ilustração: Vasylissa
Se já não importa, já não entendo por que senti as mãos formigarem e o nó apertar quando li teu nome. A cada nova palavra, a pergunta muda perguntando para onde foram os rabiscos e as dobras e as manchas de Toddy. Os teus livros não têm cara de lidos! Isso apagou um dos teus traços mais bonitos.
Fiz de ti meu personagem predileto e agora te tornas realidade. Nunca me pertenceu. Foge deixando minhas páginas em branco.
A verdade é que eu li tua mão e tuas cicatrizes e tuas reticências tantas vezes que te envelheci. Aumentei a nitidez das tuas rugas invisíveis.
Espero que um dia você me perdoe, espero quase desesperançada que um dia eu me perdoe por não conseguir me livrar desse sentimento tão sem nome e sem razão.

Monique Burigo Marin

8 comentários on "Anônimo"

Bruno on 18 de outubro de 2010 21:55 disse...

Os sentimentos vem sem licença e fogem sem controle; a criação e os devaneios são tão reais quanto os fatos; a vida segue seu curso e nós temos que apenas pedir para entrar...mas é por pouco tempo.

Iguimarães on 19 de outubro de 2010 12:33 disse...

Raiva?
Talvez ela esteja próxima ao amor,pela intensidade.
Amor o teu "pinóquio" literário, odiar o seu mais novo personagem?
talvez nao seja tão simples rasgar a página e esquecer tudo

Marina Sena. on 20 de outubro de 2010 19:36 disse...

muito bom, moça.

nem tudo que a gente sente tem nome.

Até.
bjo, bjo, bjo...

Evandro Oliveira on 24 de outubro de 2010 10:06 disse...

Podemos até criar a ilusão de possuirmos algo, mas jamais a ilusão de possuirmos alguém!
Lindo seu blog!

@Lôoh_Toledo on 24 de outubro de 2010 10:39 disse...

Os sentimentos sempre nos perturbam, as vezes nos fazem se sentir bem mas outras trazem apenas sofrimentos, sentimentos mútuos sem razão mas que apenas com um toque de alguém pode lhe provocar sensações incontáveis =/

Macaco Pipi on 24 de outubro de 2010 12:06 disse...

que pureza!!!

Noturno on 27 de outubro de 2010 00:21 disse...

Curti.Nem sempre se sabe o tempo que se tem.Cada pagina perdida ou lida, pode voltar a ser nova.A lembrança é algo guardado, mais nem sempre perto.

Marcus Alencar on 27 de outubro de 2010 22:56 disse...

Eu não enxergo o sentimento ai descrito como raiva mas como um desabafo triste de alguém que se decepcionou como expectativas que não foram correspondidas. As vezes criamos uma imagem do outro de acordo com o que queremos mas quando a realidade chama e percebemos o nosso erro é duro aceitar certas coisas.

 

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