Ilustração: Nei Ruffino
Quando criança, era fácil irritá-la, bastava chamar-lhe Pinguinho de Gente. Seu vocabulário excluía os diminutivos. Queria ser um oceano inteiro. E é bem verdade que o era, de certo modo, com seus modos certos.
Há em suas profundezas mistérios bioluminescentes. E basta aproximar do ouvido a concha que repousa em sua praia para escutar a voz – inconfundivelmente dela – que canta e encanta quem se atreve a navegar.
Prendam-nos todos, um a um, firmemente neste mastro que é para não caírem em suas armadilhas cheias de primeiras e segundas e terceiras intenções.
Monique Burigo Marin