
É tempo de descobertas. Não sou quem eu achava que fosse, tampouco sou quem achavam que eu era. Sei que eu não tinha esse sorriso parado, e morto, e frágil. Que desmancha só de olhar. E não eram minhas essas olheiras tão fundas nem esses olhos tão rasos.
Eu escrevia para compartilhar alegria, não para encontrá-la.
O equilíbrio que eu tinha cansou-se, escolheu um dos lados do muro, depois descobriu que era o lado errado. Não pôde voltar. Tudo em mim é caos e está por um triz. Tudo em mim é esperança que morre todo dia. Acho que tive pressa e acabei vestindo a alma do avesso.
Entendo que tudo se transforma e se recicla, só não sei como receber o novo, só não sei ainda como aceitá-lo, não sei e não quero, e não querer me faz temer que o dia chegue. Temo que chegue o dia. Temo que ele nasça sorrateiro com um sol camuflado de lua por trás das nuvens pesadas de um céu azul petróleo. Temo que um dia seja o dia em que minhas mãos não serão necessárias para tapar os teus bocejos, nem para afagar os teus cabelos, nem para acenar pro teu passado. Temo que morra sem ser notado, como se fosse um dia qualquer.
Monique Burigo Marin