A precipitação dos sonhos.

por Monique às 10:18 PM

Era horário de verão, por isso o sol parecera atrasar seus próprios sonhos. Os relógios marcavam dezenove horas. Isabel ainda estava sentada na areia da praia, ninguém conseguia tirá-la de lá.
Ela ainda era uma garotinha que antecipava os sonhos atrasados do sol. E só queria ficar ali sentada contemplado o infinito, construindo seus castelos de muros altos e rios infestados de jacarés – para os outros eram apenas montes de areia, e conchas - e ela sabia que amanhã já teriam sido derrubados e destruídos por causas naturais ou nem tão naturais assim, mas ela reconstruiria tudo alegremente porque era sua fortaleza.
Queria um guarda-sol imenso para ofuscar a claridade e poupar o tempo que gastava com protetor solar, queria também um moletom dez vezes maior que o seu tamanho para aquecer-se e sentir-se segura, mas queria, mais do que tudo, que a deixassem ser quem era.
Gostaria que não a impedissem de apanhar areia e comer, que a deixassem correr em círculos até o mar, que não a chamassem de assassina por naufragar barquinhos de papel juntamente com sua tripulação invisível, que o vendedor de picolés compreendesse seu desgosto por escolhas e a deixasse sortear algum sabor de olhos fechados.
Queria que não a condenassem por usar tênis na praia de vez em quando e não a olhassem estranho quando decidisse esconder-se em algum buraco cavado na areia, que acreditassem quando ela dissesse que nuvens podem ter a forma que desejamos e que há muitas escadas pendendo do céu.
Mas, ninguém ali poderia compreender ou acreditar, pois viviam dizendo que estavam velhos demais para isso, tudo era do jeito que era e não podia ser transformado. Já para ela, tudo era fascinante, surpreendente, saboroso; e não importava o quão amargo fosse, nem de que forma as almas antigas viam o que ela enxergava.
Achavam engraçado o jeito como ela balançava sobre os calcanhares e o modo como soprava a franja para longe dos olhos. Ficavam todos impressionados com o prodígio talento para discursos quando ela abria a boca, mas e daí? Ela só desejava que seus castelos de areia fossem mais significativos e importantes do que suas mãos sujas.

Monique.

5 comentários on "A precipitação dos sonhos."

André on 1 de dezembro de 2008 12:38 disse...

gostei do detalhamento. muito bom, embora um pouco confuso.


www.mechupanaplacenta.blogspot.com

Gisela Melloso on 1 de dezembro de 2008 12:39 disse...

Verdade Monique, como todos tem a capacidade de destruir nossos castelos não?

Mas olha, pra mim o legal de ser diferente, é poder todo dia contruir o meu castelo, independente de quantas pessoas vão destrui-lo, é pra isso que vivemos!!

Forte abraço

Anônimo disse...

quer casar comigo?

Monique on 11 de dezembro de 2008 00:30 disse...

muito engraçado, hahaha :)

Liipee on 20 de fevereiro de 2009 18:10 disse...

QUHWUqhwQHWUqhwiuHWqwq
quer casar comigo é?
tá vendo como o mundo tá globalizado? pessoal não tem mais sentimentos.
QUWHQuwhqUq


bom, você disse, e eu tõ aqui..
lendo essas maravilhas que você escreve..
gostei mesmo !
de uma parte em especial: "que acreditassem quando ela dissesse que nuvens podem ter a forma que desejamos, e que há muitas escadas pendendo do céu."

lembro-me eu com meus amigos, ou até com algumas pessoas que não me lembro agora, de quando nós ficavamos adivinhando.. tentando ver coisas nas nuvens que realmente pareciam tentar mostrar pra nós algo..
estavamos encima do prédio com a intenção de ver mulheres trocando de roupa..confesso, mas são momentos que não voltão.

gostei do teu jeito de escrever..
voltarei aqui mais vezes..
viu?

te cuida, bejocas.
:I*

 

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